A tua mancha não é só uma mancha: há três tipos, e cada um trata-se de forma diferente
by BelénCompartir
Nem todas as manchas são iguais, ainda que o olho tenda a agrupá-las numa única categoria. Por detrás do mesmo tom escuro pode haver processos completamente distintos, com uma origem, uma profundidade e uma velocidade de melhoria diferentes.
É a razão pela qual a mesma mancha reaparece todos os verões no mesmo ponto da bochecha, enquanto outra clareia com um produto e uma terceira quase não responde a nada. Tratá-las todas com o mesmo protocolo é, na prática, a causa mais frequente de frustração com estes tratamentos.
Entender o que acontece exatamente quando se forma uma mancha, e que parte desse processo pode realmente ser tratada, muda completamente as expectativas com que se começa qualquer rotina despigmentante.
Produzir melanina é apenas metade da história
Quando aparece uma mancha, costuma pensar-se que o problema é fabricar demasiada melanina. A outra metade consiste em eliminar esse pigmento, e é precisamente essa parte que muda com a idade.
Fabrica-se no melanócito. Quando a pele recebe radiação ultravioleta ou sofre uma inflamação, os queratinócitos que a rodeiam enviam sinais que fazem com que o melanócito aumente essa produção. Depois, a melanina é transferida para os queratinócitos, onde atua como proteção natural contra os danos solares (Yuan e Jin, 2018).
Elimina-se com a renovação epidérmica. A melanina desaparece quando esses queratinócitos ascendem até à superfície e se desprendem. Numa pele jovem isto acontece com rapidez, mas a partir dos 40 a renovação torna-se mais lenta e o pigmento permanece visível durante mais tempo.
Por vezes fica retida na derme. Em algumas manchas, parte da melanina atravessa a membrana basal e chega até à derme. Ali já não existe uma renovação celular capaz de a eliminar, e o seu desaparecimento depende de mecanismos de limpeza do tecido muito mais lentos.
Três tipos de manchas, três comportamentos distintos
Estas três concentram a maioria dos casos que surgem a partir dos quarenta.
| Tipo | O que a produz | Porque volta | Sobre o que se atua |
|---|---|---|---|
| Lentigo solar | Dano solar acumulado durante anos. | A população de melanócitos dessa zona fica alterada de forma estável, por isso o mesmo ponto volta a pigmentar todos os verões. | Fotoproteção estrita, retinoides e ácido azelaico. |
| Melasma | Interação entre hormonas, radiação ultravioleta e luz visível. | Tem componente dérmico (membrana basal alterada, mais vascularização), que responde pior e explica a recidiva. | Fotoproteção com cor, ácido tranexâmico, ácido azelaico e niacinamida. |
| Hiperpigmentação pós-inflamatória | Inflamação por acne, depilação ou procedimentos estéticos. | Numa pele com renovação lenta demora meses a clarear, e mais tempo ainda se o pigmento atingiu a derme. | Tratar a inflamação o mais rapidamente possível e evitar procedimentos que voltem a irritar a pele. |
Porque proteger-se do sol não é apenas evitar queimar-se
A radiação ultravioleta não é a única responsável por uma mancha escurecer.
Os protetores solares convencionais cobrem pouco esse intervalo. As formulações com óxidos de ferro protegem contra a pigmentação induzida por luz visível melhor do que um protetor mineral sem cor (Lyons et al., 2021).
Ideias que vale a pena rever
Esfoliar mais não clareia mais rápido. Numa pele com renovação lenta, um procedimento agressivo gera inflamação, e a inflamação produz pigmento novo. Nas manchas, a constância rende mais do que a intensidade.
Um protetor solar sem cor não é suficiente se houver melasma. Bloqueia os raios UV, mas quase não atua sobre a luz visível, uma das principais causas do agravamento do melasma.
Mudar de produto todos os meses impede saber se está a funcionar. Um despigmentante atua sobre o pigmento que deve sair com a renovação epidérmica. Doze a dezasseis semanas é o mínimo razoável para avaliar o resultado.
Que ativo atua sobre cada tipo de mancha
| Ativo | Sobre o que atua |
|---|---|
| Ácido azelaico | Inibe a atividade da tirosinase e tem propriedades anti-inflamatórias; boa opção quando há componente inflamatório. |
| Ácido tranexâmico | Modula vias de sinalização envolvidas na melanogénese e na inflamação associada ao melasma. |
| Niacinamida | Reduz a transferência de melanossomas do melanócito para o queratinócito, o que favorece um tom mais uniforme. |
| Retinoides | Favorecem a renovação epidérmica, o que ajuda a que o pigmento já formado seja eliminado mais rapidamente. |
| Fotoproteção com cor | Cobre o intervalo de luz visível que os filtros convencionais deixam passar. |
Quando a pele precisa de mais do que cosmética tópica
Os ativos anteriores atuam sobretudo na superfície da pele. A fotobiomodulação atua por uma via distinta: determinados comprimentos de onda de luz LED são absorvidos pelos fotorreceptores mitocondriais, em concreto pelo citocromo c oxidase, e aumentam a produção de ATP dentro do fibroblasto, favorecendo a síntese de colagénio e elastina a partir de dentro.
A Silicone LED Mask não atua sobre a melanina. Os seus comprimentos de onda vermelho e infravermelho não são absorvidos pelos cromóforos da melanina, mas sim diretamente pela água e pelo colagénio da pele. Por isso, o seu mecanismo principal é estimular o fibroblasto, e não clarear o pigmento. Ainda assim, no teste de eficácia independente realizado em mulheres com mais de 40 anos, após oito semanas de utilização registou-se também uma melhoria de 18,6% na coloração das manchas, um efeito associado à melhoria geral da qualidade da pele, e não a uma ação direta sobre o pigmento.
Também não existe evidência científica de que a luz vermelha ou infravermelha, a estes níveis de energia, provoque hiperpigmentação. Em casos muito excecionais, numa pele já sensibilizada (por eritema solar, por cosmética agressiva ou em fototipos altos), poderia sim surgir irritação ou uma alteração na pigmentação; se isso acontecer, o correto é suspender a utilização e consultar a tua dermatologista ou o teu dermatologista.
Incorpora-se como complemento da fotoproteção e dos ativos despigmentantes, não como substituto: aplica-se sobre a pele limpa e seca, e os cosméticos habituais ficam para depois da sessão, quando se absorvem melhor.
O dispositivo tem cinco níveis de intensidade, e pode usar-se diretamente no nível 5 sem passar pelos anteriores. Dez minutos por dia são suficientes, e as sessões curtas e diárias rendem mais do que uma utilização longa e espaçada. Como protocolo inicial, de 3 a 5 sessões semanais durante 3 ou 4 semanas, e depois de 1 a 2 sessões semanais de manutenção, ou diariamente, caso se prefira. Não se recomenda a sua utilização durante a gravidez, por não existirem estudos disponíveis, e a utilização de luz vermelha e infravermelha não é recomendada antes dos 25 anos.
Descobre a Silicone LED Mask →
Quando é que uma mancha precisa de avaliação médica
Nada do que foi dito acima substitui uma avaliação dermatológica. Convém consultar o mais rapidamente possível perante qualquer um destes sinais.
- Muda de forma, cor, tamanho ou contorno de maneira percetível. É o sinal que mais frequentemente exige avaliação.
- Sangra, causa comichão ou dói sem motivo evidente. Uma mancha pigmentar simples não costuma dar estes sintomas.
- Aparece de forma repentina e não se encaixa no teu padrão habitual. Nem todas as manchas novas têm origem solar ou hormonal.
- Gera qualquer dúvida, por pequena que seja. Perante a incerteza, o correto é perguntar antes de começar um tratamento.
Perguntas frequentes
Porque é que a mesma mancha volta sempre ao mesmo sítio?
Porque a exposição acumulada altera de forma estável a população de melanócitos dessa zona, que responde com mais intensidade do que o tecido circundante perante o mesmo estímulo solar.
Quanto tempo demora a ver melhoria?
No mínimo doze semanas, e até dezasseis em muitos casos, porque o pigmento tem de sair com a renovação epidérmica natural. Avaliar antes desse prazo não permite saber se o tratamento está a funcionar.
O melasma trata-se da mesma forma que uma mancha solar?
Não. O melasma tem um componente dérmico que responde pior ao tratamento, por isso costuma precisar de fotoproteção com cor e ativos como o ácido tranexâmico, além do que já funciona no lentigo solar.
A máscara LED clareia as manchas?
Não diretamente: os seus comprimentos de onda não são absorvidos pelos cromóforos da melanina, mas sim pela água e pelo colagénio da pele. No teste de eficácia registou-se uma melhoria associada na coloração, ligada à melhoria geral da pele, sempre como complemento da fotoproteção e dos ativos despigmentantes, nunca como substituto.
Posso combinar retinoide e ácido azelaico?
Costumam tolerar-se bem juntos se forem introduzidos de forma progressiva. Perante qualquer irritação persistente, convém espaçar a sua utilização ou consultar a tua dermatologista ou o teu dermatologista.
Glossário rápido
- Melanócito
- Célula responsável por fabricar melanina, o pigmento responsável pela cor da pele.
- Melanossoma
- Estrutura dentro do melanócito onde se produz e armazena a melanina antes de ser transferida para o queratinócito.
- Melasma
- Hiperpigmentação com componente dérmico, associada a hormonas, radiação ultravioleta e luz visível.
- Hiperpigmentação pós-inflamatória
- Mancha que aparece após uma inflamação da pele, como a acne ou uma lesão.
- Fotoproteção com cor
- Protetor solar com óxidos de ferro, que cobre também o intervalo de luz visível.
Em resumo
Cada mancha tem uma origem distinta. Uma vive na epiderme e responde com relativa rapidez à renovação celular; outra tem um componente dérmico que a torna mais resistente e mais propensa a voltar. Essa diferença de profundidade é que decide se um tratamento tópico a consegue alcançar ou não, e porque é que duas manchas com o mesmo aspeto podem precisar de rotinas completamente distintas.
A equipa da SKINVITY
Referências científicas
As referências seguintes correspondem à evidência científica geral sobre a pigmentação cutânea citada neste artigo, e não a um estudo de eficácia de um dispositivo SKINVITY, exceto onde isso é indicado expressamente.
- Yuan XH, Jin ZH. Paracrine regulation of melanogenesis. Br J Dermatol. 2018;178(3):632-639.
- Dumbuya H, Grimes PE, Lynch S, et al. Impact of iron oxide-containing formulations against visible light-induced skin pigmentation. J Drugs Dermatol. 2020;19(7):712-717.
- Lyons AB, Trullas C, Kohli I, Hamzavi IH, Lim HW. Photoprotection beyond ultraviolet radiation: a review of tinted sunscreens. J Am Acad Dermatol. 2021;84(5):1393-1397.